Elisa Monteiro de Souza Furtado
O objetivo desse trabalho é analisar o PIB pela ótica da Oferta e da Demanda, apresentando gráficos e uma análise conjuntural sobre os dados. O período analisado será entre 1997 a 2025.
Inicialmente, o Produto Interno Bruto (PIB) é o principal agregado macroeconômico das contas nacionais. A medida do PIB de um país ou uma região representa a produção de todas as unidades produtoras da economia (empresas públicas e privadas produtoras de bens e prestadoras de serviços, trabalhadores autônomos, governo etc.) num dado período (ano ou trimestre, em geral) a preços de mercado (FEIJÓ, 2017).
Tal indicador mede o valor adicionado de bens e serviços produzidos dentro de um país. O PIB exclui bens e serviços intermediários usados como insumos para evitar a dupla contagem, esta, por sua vez, ocorre quando soma o valor total da produção de todas as empresas sem ajustes, contando bens intermediários (insumos usados na produção de outros bens) mais de uma vez no PIB. Com isso, para evitá-la calcula-se o valor adicionado de cada unidade produtiva, sendo o valor da produção menos o custo dos consumos intermediários adquiridos de terceiros.
O PIB é medido em valores monetários a preços de mercado (valor pago pelo comprador final) no Sistema de Contas Nacionais. Ou seja, o PIB mede o valor total da produção final de bens e serviços heterogêneos (como carros, serviços médicos e moradia) em valores monetários, usando preços de mercado observados em transações reais para casos sem venda direta (FEIJÓ, 2017).
O PIB é uma identidade contábil, por isso os valores das três óticas devem ser equivalentes:
Oferta = Renda = Demanda
Avalia o valor agregado, ou seja, o valor efetivamente adicionado pelo processo de produção em cada unidade produtiva, sendo os principais setores da economia:
- Agropecuária
- Indústria
- Serviços
PIB = VA Agropecuária + VA Indústria + VA Serviços
O gráfico abaixo apresenta a evolução do PIB total anual brasileiro de 1996 a 2025, calculado pela soma dos três setores da ótica da oferta.
A variação percentual anual do PIB revela os ciclos de expansão e retração da economia brasileira. Os anos em vermelho indicam contração do produto.
Inicialmente, o desempenho do PIB brasileiro ao longo do período analisado pode ser dividido em cinco ciclos distintos, cada um definido por choques externos ou decisões política dentro do cenário nacional. O desempenho do PIB brasileiro ao longo do período analisado pode ser dividido em cinco ciclos distintos, cada um definido por choques externos ou decisões política dentro do cenário nacional
O período após o Plano Real (1996–2001) foi marcado pela estabilização monetária após décadas de hiperinflação, o que aumentou o poder de compra das famílias e estimulou o consumo, entretanto, o crescimento não foi grande e não apresentou oscilações. Dentre as medidas apresentadas no plano, uma delas foi o aumento da taxa Selic a fim de conter as pressões inflacionárias, o que encareceu o crédito e, consequentemente freou o investimento privado. Desse modo, o resultado foi um crescimento oscilando entre 0,3% e 4,4%, sem ritmo sustentado.
Já o período marcado pelo Boom de commodities (2002–2008) foi marcado pela aceleração da industrialização chinesa, o que gerou demanda intensa principalmente por commodities (soja, minério de ferro, petróleo etc.). Tal período aumentaram as receitas de exportação, visto que o crescimento atingiu 5,1% em 2007 e 6,1% em 2008, antes de a crise financeira global interromper o ciclo.
Nos anos de 2009 a 2014 foram marcados pela Crise do subprime e política interna 2009–2014. A falência do banco Lehman Brothers em 2008 desencadeou uma crise de crédito global que contraiu o PIB brasileiro, resultando no primeiro período de recessão após 1992.
Nos anos de 2015 a 2019 ocorreram o Impeachment da Presidente Dilma Rousseff. O período crise política e às investigações da Operação Lava Jato, as quais paralisaram obras públicas, resultaram em recessões consecutivas. Por fim, a pandemia de COVID-19 (2020 a 2023) paralisou o setor de serviços e reduziu o PIB em 3,3% em 2020. Entretanto, o agronegócio obteve grandes exportações, beneficiado pela desvalorização do real, que tornou as exportações mais competitivas. Esses fatores combinados produziram um recessão de quase 5% em 2021.
A composição setorial do PIB pela ótica da oferta evidencia o peso relativo de cada setor ao longo dos anos. Os serviços historicamente representam a maior parcela do produto brasileiro.
O gráfico mostra uma característica estrutural da economia brasileira, a predominância do setor de serviços. Entre 1996 e 2025, os serviços responderam consistentemente por cerca de 60% do valor adicionado total. A indústria, por sua vez, apresentou trajetória de queda relativa ao longo do período (desindustrialização). Por fim, a agropecuária, embora com menor participação, ganhou relevância nos anos 2000 com o boom das commodities e manteve sua relevância nas exportações brasileiras.
Nessa ótica é avaliado o produto de uma economia considerando a soma dos valores dos bens e serviços produzidos e que não foram destruídos ou consumidos (FEIJÓ, 2017). O PIB pela ótica da demanda corresponde à soma dos gastos dos agentes econômicos:
- Consumo das Famílias (C)
- Gasto do Governo (G)
- Investimento ou Formação Bruta de Capital Fixo (I)
- Saldo Comercial — exportações menos importações líquidas (X-M)
A composição do PIB pela ótica da demanda mostra o consumo das famílias como motor do crescimento da economia brasileira. Ao longo de todo o período, o consumo das famílias responderam por aproximadamente 60% do PIB pela ótica da demanda. Já o consumo do governo e a Formação Brita de Capital Fixo manteve participação relativamente estável. Por fim, a balança comercial apresentou mais volatilidade, apresentando oscilações devido ao boom de commodities e, posteriormente, reflexos pela crisse de 2008 e crise política.
A análise do PIB brasileiro entre 1996 e 2025 pelas óticas da oferta e da demanda permite identificar padrões estruturais e cíclicos que caracterizam a trajetória de desenvolvimento do país nos últimos anos.
Pelo lado da oferta, o setor de serviços apresentou maior parte da composição do PIB. Esse processo foi acompanhado por uma queda da participação da Indústria, caracterizando o período de desindustrialização. Já a agropecuária, por sua vez, se consolidou como pilar das exportações brasileiras, mostrando oscilação devido ao cenário internacional.



